Cansei-me de escrever.
Eu não me cansei de escrever.
Cansei-me de escrever por motivos lógicos.
Eu não me cansei de escrever.
Eu não me cansei da minha liberdade criativa, mas sim de condições que me aborrecem na mesma.
Mas há uma explicação para tudo, advertia-me se assim não fosse.
Os meus desvaneios líricos são como um carro a gasolina, com motores de explosão.
Arranques poderosos e barulhentos em que uso as palavras como permanentes analogias ao meu pensamento extremista.
A verdade é que eu sou assim, extremista, 8-80, e é nesses precisos momentos que escrevo.
As minhas palavras, numa análise coagulada no tempo fazem a minha vida parecer uma diversão de um parque temático qualquer.
Talvez uma montanha russa. Talvez uma bola presa por elásticos. Talvez não esteja assim tão cansado.
De pouco me vale partilhar os arranques poderosos do meu Ford Fiesta dos anos 90, ou do facto de tal como muitos outros passar a vida a ir a baixo, se não partilhar os km's que faço com ele e todos os caminhos pelos quais passo.
Pergunto-me qual é o sentido de relatar os melhores e os piores acontecimentos que me varrem o pensamento, se na verdade não sou capaz de estampar nas palavras o mais importante: a tranquilidade e a felicidade que partilho no meu dia a dia.
Todos os dias!
Este sentimento de auto-julgamento alia-se a um certo desgosto e agonia, que misturados com alguma insignificância e um olhar céptico agravam a minha fraca vontade de escrever.
Cansei-me de escrever.
Eu não me cansei de escrever.
Cansei-me de escrever aqui.
Aqui, ali, e em qualquer outro passeio ou avenida que possa ser alcançado pelos olhos.
Apartir do momento em que as pessoas molham os dedos na língua antes de folhear as páginas do meu pensamento, num gesto abrasivo de perseguição e rancor só me resta pousar a caneta.
Deixar de bater nas teclas, ou deixar de puxar a folha na máquina de escrever não limita em nada o nosso imaginário, a nossa aura criativa, ou até o Amor que nutrimos pelas coisas e pessoas acerca das quais escrevemos.
Continuam a haver razões para escrever, tal como continuam a haver razões para Amar e sempre haverão razões para ver as estrelas no céu.
Até mais ver não me vou sujeitar a censura de terceiros que pretendem saber da minha vida pelo simples facto (de por su'culpa) terem saído da mesma.
Cansei-me de escrever, mas não me cansei de escrever, nem de pensar, nem de falar, nem de cantar, nem de tocar, nem de fotografar, nem de sonhar, nem de Amar.
A minha vida continua a ser um livro aberto para aqueles que dela fazem parte.
A todos os outros dirijo a minha indignação, nesta e noutras cartas que como esta deixam firme as minhas diretrizes.
A todos os que não forem como esses tais de "outros" abro o meu engenho e convido-vos a partilhar a minha luz e felicidade.
Fica o que sou.