segunda-feira, abril 30

Disserta-se o eu.


A saudade não mata.
A solidão não moí.A dor não apaga.

Mas deixo cair a cabeça. Deixo-me ferir mais uma vez. 
Cerro-me passivamente e envolto em arrogância ergo-me de novo. Piso firme e afasto o passo.
Suspiro. Fundo uma falsa tranquilidade. Iludo o meu ser.
Abro-me ao meio, para que nem ódio nem rancor de pupilas dilatadas restem em cru engenho. 
Sirvo-me de novo. 
Alço a cidade e prendo-me em mim.
Edifico a alma. Erga-se a paz. 
Olho para o fundo e deixo o ar levar tudo o que teimava abraçar o pensamento.
Olho bem fundo e quase me deixo cair de amargura.
Revolto seguro.
Seca-me a existência.
Rejuvenesço.
Piso firme e encurto o passo. 
Sento-me índole, com cautela fecho os olhos.
Escondo o medo. 
Seco o rosto.
Solidifico o ser. 
Levanto-me.

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