domingo, maio 20

Dia do amanhã #6


Perco-lhe o rasto, perco-me do sonho. 
Mais uma vez deixo-o fugir e em mãos pouco tenho. 
Liberto-me do ar pesado, e ao fundo sinto-lhe o cheiro. 
Aproximo-me da multidão, tumulto humano. 
Passara por aqui, apenas para levar com ele o seu café, não podia falhar. 
Se bem o conheço, e perdoem-me o palpite, levou com ele um muffin de avelã e chocolate. 

Velhos hábitos, diz ele. 


Mas para onde segue? 
A alma liberta-se do corpo e assume um caminho diferente. 
Vontade não faltará, de abandonar esta vida de luzes. 



Desde o dia em que o encontrei naquela praia, despido da minha maquina, que percebi. 
E desde logo abandonei a vida oportunista de paparazzi que até lá levava. Segui o meu caminho ao vê-lo abandonar o seu. 




Agora tomo-o, ao tentar construí-lo de novo.

Fica a esperança.

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