Acordo num banco de jardim.
Que mendigo de saber.
Folhas caducas dançam ao som do vento.
Com um gesto afasto as aves, imundas, que controlam a cidade.
O sol é fraco, está a chegar o Outono.
Sinto saudades das cores, dos sorrisos e das memórias. Em tempos ele sorrira.
Ao fundo um vendedor de castanhas e três mulheres, que pelo ar devem ser os telégrafos desta avenida, conversam.
Ele não gosta de castanhas. Nem de bisbilhotices. Mas para onde será que ele foi?
A 7 metros e dois passos, um homem de meia idade levanta-se e larga o jornal.
Aproximo-me, é a cara dele, estampada na primeira página está a cara do procurado. "Nova digressão"- anuncia, mas sempre com aquele olhar frio de quem perdeu , um amor, um amigo, uma vida... Ohh se sei o que é perder!
Em tempos também perdi. Já lá vão 2 anos...
Arrependo-me de a ter deixado partir, sozinha. Esperava um regresso. Se ao menos tivesse lá para ver o seu ultimo sorriso...
Hoje já nem os retratos, nem os versos nem as cartas, nada apaga a dor da sua ida. E nada vai fazer com que volte para os meus braços.
Restam memórias.
Fica a saudade.
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