Chove.
Chove e o mundo gela.
A cidade ilumina a noite com todos os seus enfeites.
Musica, luzes, luzes, musica.
O vento leva guarda-chuvas pelo ar, as pessoas correm de um lado para o outro, umas para se abrigar, outras para se adiantar ao fecho das lojas.
Compram-se os últimos presentes.
Enquanto procuro por noticias, as massas procuram e retocam, em jeito de magia, os condimentos.
Prepara-se a ceia de Natal.
Imagino, quatro crianças sentadas numa mesa redonda, embeiçadas.
Com nódoas e açúcar estragam a indumentária caprichosamente escolhida.
Anseiam as doze badaladas.
Sorriem, entre pequenos suspiros de desespero são felizes.
As ruas escoam.
A noite torna-se densa e as luzes das casas apagam-se.
Mas a cidade não dorme...
Em pequenos carros de supermercado, vagueiam mendigando aos céus sobrevivência do pão.
Carecem de esperança, alimentam-se de saudade.
Sem família, sem amigos, sem futuro.
Desgastados pelo tempo, ou pelo frio deste inverno severo.
A solidão é a melhor das companhias para aqueles que nela vêm condição.
É véspera de Natal
Fica musica, luzes, luzes e musica.
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