Dás o exemplo mascarado de tristeza.
Há desilusão ferrada na pele entre o suor.
Falta-te razões para lutar por aquilo que já foi teu, e mesmo sendo não acreditas, nem sabes ter.
Vives uma vida por ti perdida.
Desististe de viver.
Vives nas sombras e afogas em vinho memórias doces do passado, talvez amargo, que em segredo nos arrancaste.
E com o vapor do sangue dissipa-se a razão.
Vives por viver, e roubaste-nos a vida.
Mesmo sem saber, porque nunca tu direi, fizeste-me crescer cedo de mais e sem querer tive ser o que tu nunca conseguiste. Forte.
O esforço que me exiges multiplicou-se com o tempo. Podias ter evitado tudo.
Agora imundo, escondes no riso a dor de tudo o que perdeste, enganas-te a ti mesmo e finges não saber.
Mas quando cai a noite e o mundo se deita, travas-te com a consciência no escuro.
De pouco vale disfarçar os sentidos.
A dor que dói não sara.
E no final do dia só tenho a agradecer-te, sem orgulho, pelo que me tornei.
Resfriaste-me o ser e consolidaste um carácter de ódio a tudo o que me foi negado.
Concedeste-me o dom de pensar para lá do acreditável, o dom de manipular o meu próprio gene.
Vejo-me e revejo-me em ti.
Se não fosse o passado o presente era diferente, e o futuro não me era arrancado.
Ao mesmo tempo, o passado ensinou-me como agarrar o futuro de maneira engenhosa e perigosa.
Sem querer desiludir-te, agradeço-te pelo o que sou, mas a mim me prometo que nunca te seguirei as pisadas.
Não quero ser como tu.
Sei ser melhor.
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