segunda-feira, outubro 22

Mar baixo


(Fica a saudade de ser Amado.)

Ás vezes o espaço para chorar é tão apertado que nos afogamos no tempo e em pensamentos que dele derivam, com eles derivamos nós e perdemos-nos no silencio.
Desviamos-nos da rota, mas remendamos pequenas fendas e continuamos. Não sou homem, nem marinheiro, que de dois remos faça chegada.
Pode haver determinação e ambição, e um X vermelho que cruza ao mar. Mas rendo-me há condição, porque a fim de vida o impossível pouco mais é do que certeza. Amarro o coração ao casco, ao lado de uma pequena Bússola pelo tempo desmagnetizada  e deito-me no convés, sobre umas palavras, encostado ao pequeno mastro, que sempre nos faz parecer maiores do que realmente somos.
Adormeço sobre um céu cinzento, sem me preocupar com os males da tempestade, com cansaço, deixo que as pálpebras se unam.
Deixo-me encontrar nos sonhos. Porque nos sonhos não há espaço para desilusão...
Acordo com um trovão, sou empurrado até à proa por um suspiro do vento. Rastejo até à popa e viro o leme mudando a direcção. Desço ao convés, enrolo-me num saco de serapilheira e escondo-me da realidade, fecho os olhos com intenção de cair em inconsciência novamente.
Que vontade de ser feliz.

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