sexta-feira, janeiro 11

Rabiscos no som



Solta-se a pele e caleja-se o ouvido.
Arrepia-se a melodia na ponta dos dedos.
As cordas que cortam o sentir e que se desfazem da dor pela ilusão do sentimento.
Como uma chave, aquela sequência abre-me no ser um momento de paz e reflexão.
A fim sensato solta-se a voz, num dialecto elegante e de longe, não é materno, talvez para confundir a existência e percepção das palavras. 
Num tom baixo e rouco desenvolvem-se guiões para um único personagem, que se dirige a ti de alma autopsiada. 

Expressa em voz o sentimento.

Correm imagens na memoria e linhas de acção permanentes.
Todos os dias há um momento acompanhado da mesma melodia.
Mudam-se as historias, viram-se os vocábulos, mas entre os versos nada se transforma, senão um desejo rescrito em pensamento.
Sem qualquer intuição ou preparo nascem canções. Num improviso magistral envolto na misticidade do teu cheiro, ou na saudade do teu sorriso, reflexo dos meus olhos. 
Todos os dias há um momento, quer a sorrir quer a chorar esse momento é para ti.  


Fica a saudade de escrever para ti.

Sem comentários:

Enviar um comentário