sexta-feira, maio 18

Dia do amanhã #5

O gelo derreteu, pouso o copo em cima da mesa de cabeceira.
Tresmalho de loucura. Não consigo encontrar ligação, não encontro qualquer explicação.
Nem percebo... O que me intriga nisto? É só um de muitos.
Mas aquele olhar...
Tenho de voltar ao inicio...  
Procuro mais uma vez nas gavetas, no arquivo, na memória... resta-me pouco.
Pego as chaves, calço os sapatos que estão espalhados pela entrada do T1.
Monto-me na moto e volto ao passado.
Ao chegar sem surpresa, vejo que está tudo diferente... Tudo muda com tempo.
Levou as pessoas, a passadeira vermelha... caiu o palco e as luzes estão apagadas...
Habilmente alcanço os camarins. Chovem memórias... Cabeleiras, maquilhagens e fotografias por toda a parte...
Encontro numa pequena bolsa de viagem, vermelha, provavelmente esquecida, tem as iniciais dele marcadas... Alguns chocolates, uma fotografia dele com uma jovem, bastante antiga com uns dez anos de pó arrisco-me a afirmar, e uma pequena caixa vazia, onde cabia na perfeição uma aliança.
Ouço barulhos, deve ser a segurança.
Escondo-me no armário...
Era ele, entre gritos e empurrões reconheci-lhe a voz...
"Estás a fazer-nos perder tempo! A entrevista? E a digressão? Fizemos 700 km por causa dessa porcaria? DESPACHA-TE" - Gritavam...
"É a minha vida que está aqui. Façam os espectáculos sem mim, se assim o conseguirem." - Disse ele num tom baixo e moderado. 
Fez-se silencio.
O clima arrefece.
Ouve-se a porta fechar...
Rapidamente saio da escondedura e sigo-os.

Enquanto meto o capacete a limusina avança. E mais uma vez perco-o no horizonte e perco-me em pensamentos, corrói-me a ignorância. 

Fica uma fotografia, em que ele sorria. 

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