segunda-feira, maio 20

Acordar.

Se já é difícil acordar de um sonho sem saber como ele acaba, cabe-me a mim resolver o pesadelo do qual se torna impossível acordar.
Entre as condições pela paisagem imposta e as correntes que me prendem ao chão, fui sempre capaz de erguer a cabeça e idealizar o melhor junto dos que me prometeram o coração e em surto o entregaram.
Funda-se o egoísmo nas paredes, e como se não me chegasse o fardo, depositam em mim o lixo de viver que levam como se pouca fosse a minha dita. 
Cantam a  marcha em reverso, dançam a valsa no tecto.  Sem pouco mais do que veneno, lavam-se de nojo enquanto fingem não me ver passar. Não fosse a culpa um sentimento tão pesado e eles voavam para longe como quem do medo foge e no trigo se esconde.
Fosse decisão a raiva e no momento fogo e ferro se haviam erguido aos meus pés.
Mas como assim não é, de pouco se fazem as palavras, enquanto que o silencio nos leva numa viagem que afasta o que pensa do que finge pensar.
Abraçasse-me o vento e aqui já não estaria para contar a coragem que tenho de viver.
Não fosse o fado destino, e à desgarrada com a vida não enfrentasse a noite e pouco mais restava do que um coração igual aos deles.
Pintam o mundo à sua cor. Pintam a cidade com a minha. Para que o mundo me veja, nas paredes, nas ruas, nas estradas, como quem não sabe onde anda, como quem o pouco que tem demanda, como quem está onde não quer e merece o que não tem.
Vã é a simplicidade em que mergulhamos as palavras ao contar um sentimento que sem ser ouvido se torna apenas um fantasma em nós perdido. Transportamos no coração uma verdadeira casa assombrada, sem montanha russa de tão ignóbil solidão. "Lá vai o monstro." riem atirando pedras, escondendo as lágrimas por de trás da força imponente da tecnologia e da Sociedade Anónima da Falsa Mudança. Este sem poder de manifesto torna-se apenas um dado móvel  Que nas bocas balança conforme o vento se assemelha, ao consenso que lhe quer por. Há conotação nas palavras. Aquela que lhes dermos ou façamos por dar.
Tal como nos sentimentos.
Cantamos então para quem nos quer ouvir, e não o que queremos cantar.
Torna-se um mal menor mais mais enganador, quando para nós cantamos, baixinho nos nossos proprios ouvidos.
Tornando-nos marionetas do nosso real teatro. Perdemos os sentidos, a noção e o coração para as tremendas merdas que nós mesmo arranjamos. A dança do lixo espalha-se na nossa cabeça, a nossa boca agora chaminé.   E no fim de contas há sempre alguém que o fala, ou que o escreve na 1ª pessoa do plural, para partilhar a dor que um dia será nossa, mas que em tempos apenas ela soube prever. Entre lágrimas se declamam muitas das palavras que ficaram por dizer. Esqueça-se o mal com fantasias, mascaras e à falsa virgem entrega-se a inocência, a razão doada e um sorriso pre concebido. Não fosse a maçã podre a mais desejada. Não fosse o silencio a melhor arma. Sorria o sol em seu prodígio. Que caia a lua na minha cama, onde partilhada a historia juntos traremos  luz à noite.

Ficará onde sempre brilhou, onde de nunca devia ter saído. 

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