Toda e qualquer pessoa que me conhece sabe que lhe é mais favorável lutar do meu lado do que lutar contra mim.
Consigo ser a pessoa mais pacata e contida do mundo. Consigo guardar calado tudo o que vejo e ouço, tudo o que leio e penso. Não quer dizer no entanto que por calado me entendam esquecido.
Nada me passa pelos olhos nem tão pouco pelas mãos sem que o pinte numa memória antes de guardar no arquivo cogito.
Pouco é pior para mim do que o erro repetido. Linha após linha. Sem pegar na borracha uma unica vez para o corrigir ou no compasso o repensar.
Mas desse pouco consome-me a alma o falso respeito, a postura erecta e arrogante de quem em toda uma vida semeada de erros tem a altivez para se aclamar ofendido ou pedir respeito.
O meu silencio consegue ser a minha melhor arma, mas também a mais pesada.
Talvez seja por isso que quando a largo me torno mais ágil, talvez por isso tenha a capacidade de desprover qualquer pessoa de argumentos, devastando discursos e deixando pouco por dizer.
Talvez seja por isso que tenho sempre razão.
Tenho pena das pessoas que não conseguem ver isso. Que me fazem mal anos a fio, ou que simplesmente deixam de me fazer bem, e são ingénuas ao ponto de não perceber que não vou de maneira nenhuma encará-las por igual.
Os laços emocionais não se perdem com o tempo. Mas degradam-se.
Não aceito erros repetidos. E não é por terem o mesmo sangue que eu a correr nas veias que vou esquecer isso, ou tão pouco deixar passar em branco as vossas acções.
Posso não ser ninguém para vos julgar, mas sou quanto basta para não agir em falso e não continuar a viver na farsa com a qual tendem a cegar-me.
Fica a verdade.
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