sábado, maio 12

Dia do amanhã #1


Entrou destemido, e expôs-se ao risco. 
Penetrou o momento envolvendo-se todo ele na atmosfera que construíra.
Por de trás de toda aquela arrogância, que é digna dos que como ele crescem, consigo ver o medo.
Esconde-se entre os olhos e o coração. 


Tem todo o tempo, e ele sabe disso. 
Aproveita cada segundo que lhe pertence, vai devagar, bem devagar.
Aproxima-se, rufam os tambores. 


Limpa o suor do rosto, e com ele uma lágrima.
Nunca perdendo a postura. 
Entra no carro, encosta a cabeça no vidro... Não desvia nem um olhar para aqueles que com ele se movem.
Com aquele gesto gelou-me a alma. E não vergou o sentido. 
Secou-me a sede. 
Partiu com tamanha segurança que a meus olhos deixou incerteza. 

Segui-lo-ia se quisesse, mas sei que volta. 

Cruza a esquina, perco-o no horizonte.
Espera-lhe um futuro que prometeu brilhante, mas sei que não tem o que quer.
Perdeu-se da vida quando agarrou o sonho, e nunca mais lá voltara... 
Olho à minha volta: uns choram, outros riem, outros apagam-se e consolam-se no ombro engarrafado. 
Enquanto ao longe uns lutam pelo que resta, apagam-se as luzes.
A noite cai. E ele, de nenhum sonho trará o que da vida não levou.


Segue pela estrada. Olha-se ao espelho.


Fica o reflexo.

1 comentário:

  1. será que te posso pedir um favor? ontem de noite decidi criar um blog de fotografias minhas. será que podes passar por lá? e se gostares segue-me. aqui tens:

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