Hoje cumpri o prometido com lágrimas no rosto.
Fui à nossa casa, respirei o ar húmido e fitei os espaços.
Fiz um piquenique, como vinha a planear durante toda a dura e agitada manhã.
Apenas queria compensar com sorrisos, os espaços vazios que sem saberes tens deixado no meu coração.
Resultou, senti-me preenchido, mas não pelo que desejara.
Avistei a paisagens,desaguei a tristeza no rio e pintei o céu de cinza.
Contaminei a cidade com memorias de uma vida que sonhei ser tua, desde o momento em que sem saber me dei a ti.
Procurei amparo, ouvi aqueles que um dia conseguiram ignorar os degraus da rotina e descer por um qualquer corrimão de ferro. Para que os seus sonhos assim que estáveis mas a um ritmo acelerado se cruzassem com aqueles que lhes querem bem. Grandes lendas, poetas do viver, cultos do sacrifício E a cada aplauso um soluço, a cada grito um arrepio, a cada acorde um desabafo.
Esqueci-me do mundo por segundos acrescidos de uma hora.
Regressei ao tempo de mãos abertas, mas só encontrei um comboio de regresso.
Que fique em nós o pouco do progresso, que em promessas vividas se fez sentir.
E que em mãos do arrependimento, chore a saudade que em horas vãs se soluçou por medo do amanhã triste que foi hoje.
Fosse o mundo pintado à cor que escolhi para nós, que hoje o plantar das cinzas seria enterro do que nos atormenta.
Cruzássemos as espadas que nos penetram a vontade de viver.
Hoje cumpri o prometido. Sozinho.
Fica em suma a cruzada, que mesmo em desilusão mergulhada, não poderia de maneira nenhuma deixar de ser partilhada contigo.

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