terça-feira, março 17

"Arranca metade do meu corpo, do meu coração,dos meus sonhos. 
Tira um pedaço de mim, qualquer coisa que me desfaça. 
Recria-me, porque eu não suporto mais pertencer a tudo,
 mas não caber em lugar algum."

domingo, novembro 23

Noites de insónia

O melhor de dormir contigo é saber que se adormecer, tu vais la estar ao acordar.
Mas no calor da noite o medo de te perder de um suspiro para outro, entre os sonhos,  rouba-me a vontade de dormir.
Olho para ti. Abraço-me a ti. Beijo-te a testa. Abraço-te mais uma vez.
Certifico-me que estas ali, a dormir, a respirar, despenteada, com a camisola desajeitada.
Tapo-te e abraço-te de novo.
Certifico-me que respiras e beijo-te a testa mais uma vez.
Viro-me para o outro lado e rezo para quando o calor da noite me roubar os sonhos mais uma vez estejas ali, a respirar, desajeitada.
Mas não consigo adormecer, não quero correr o risco de te perder numa noite de sono.
Volto-me de novo para ti, tapo-te, ajeito-te o cabelo, beijo-te a testa, abraço-te com força e assim adormeço.
Para ter a certeza que ao abrir os olhos és a primeira coisa que vejo, complementando o meu pensamento.
Para que nenhuma noite de sono, ou de sexo, roube o Amor que sinto por ti.

Fica o calor do teu abraço!

sábado, outubro 4

Amar é confortar uma pessoa que nos faz mal por não sermos capazes de a ver sofrer.

segunda-feira, agosto 25



Cansei-me de escrever.
Eu não me cansei de escrever.
Cansei-me de escrever por motivos lógicos.
Eu não me cansei de escrever.
Eu não me cansei da minha liberdade criativa, mas sim de condições que me aborrecem na mesma.
Mas há uma explicação para tudo, advertia-me se assim não fosse.
Os meus desvaneios líricos são como um carro a gasolina, com motores de explosão. 
Arranques poderosos e barulhentos em que uso as palavras como permanentes analogias ao meu pensamento extremista. 
A verdade é que eu sou assim, extremista, 8-80, e é nesses precisos momentos que escrevo.
As minhas palavras, numa análise coagulada no tempo fazem a minha vida parecer uma diversão de um parque temático qualquer.
Talvez uma montanha russa. Talvez uma bola presa por elásticos. Talvez não esteja assim tão cansado. 
De pouco me vale partilhar os arranques poderosos do meu Ford Fiesta dos anos 90, ou do facto de tal como muitos outros passar a vida a ir a baixo, se não partilhar os km's que faço com ele e todos os caminhos pelos quais passo.
Pergunto-me qual é o sentido de relatar os melhores e os piores acontecimentos que me varrem o pensamento, se na verdade não sou capaz de estampar nas palavras o mais importante: a tranquilidade e a felicidade que partilho no meu dia a dia.
Todos os dias!
Este sentimento de auto-julgamento alia-se a um certo desgosto e agonia, que misturados com alguma insignificância e um olhar céptico agravam a minha fraca vontade de escrever.
Cansei-me de escrever.
Eu não me cansei de escrever.
Cansei-me de escrever aqui.
Aqui, ali, e em qualquer outro passeio ou avenida que possa ser alcançado pelos olhos.
Apartir do momento em que as pessoas molham os dedos na língua antes de folhear as páginas do meu pensamento, num  gesto abrasivo de perseguição e rancor só me resta pousar a caneta.
Deixar de bater nas teclas, ou deixar de puxar a folha na máquina de escrever não limita em nada o nosso imaginário, a nossa aura criativa, ou até o Amor que nutrimos pelas coisas e pessoas acerca das quais escrevemos.
Continuam a haver razões para escrever, tal como continuam a haver razões para Amar e sempre haverão razões para ver as estrelas no céu.
Até mais ver não me vou sujeitar a censura de terceiros que pretendem saber da minha vida pelo simples facto (de por su'culpa) terem saído da mesma. 
Cansei-me de escrever, mas não me cansei de escrever, nem de pensar, nem de falar, nem de cantar, nem de tocar, nem de fotografar, nem de sonhar, nem de Amar.
A minha vida continua a ser um livro aberto para aqueles que dela fazem parte.
A todos os outros dirijo a minha indignação, nesta e noutras cartas que como esta deixam firme as minhas diretrizes.
A todos os que não forem como esses tais de "outros" abro o meu engenho e convido-vos a partilhar a minha luz e felicidade.
  

Fica o que sou. 

quinta-feira, junho 12

Estás mesmo a ler isto?
Sabia que não ias deixar de me perseguir. És a pessoa mais triste que alguma vez conheci.
Coisa acéfala. A unica coisa publica é a tua alma. 
És de todos sem ser de ninguém.
E acima de tudo, não sabes ser tu, e por isso procuras saber dos outros.
Tens tantos problemas de auto-estima que fazes questão de troçar dos outros. Fazes questão de os perseguir e de tentar pegar em qualquer coisa sem importância nas suas vidas para os fazer sentir mal, para os fazer sentir como sempre te sentiste, não é?
Mas toda essa postura, toda essa força e piada, faz tudo parte da tua mascara não é?
Sem ela já não és destemido para desafiar as pessoas com palavras. Sem ela não passas de um pobre ser ao abandono da sua própria insignificância. É por isso que foges. É por isso que foges quando me vês. É por isso que foges da verdade que conheces e finges não viver.
Fazes de tudo para pareceres o mauzão, fazendo dos que te superam, os que desistiram de ti, o patinho feio que tu próprio és e escondes por trás desse falso carácter. 
Ridiculo. Ridiculo. Ridiculo.
Tenho vergonha de algum dia te ter chamado amigo.
De ter partilhado a minha vida contigo e de ter confiado em ti todos os segredos que agora arremessas. 
És a desilusão e a vergonha numa só palavra. Pena. 
Pena de ti, e dos que como  tu procuram destruir nos outros aquilo que há anos procuram sem conseguir encontrar.  
Em vez de procurares a tua felicidade vives na espectativa de tentar destruir a minha. 
Mas eu estou feliz. 
Eu sou feliz.
Enquanto isso estás a deixar-te a ti para trás… 
Como já há tanto tempo fizeste… 
E ainda não resultou pois não?
Nem vai resultar.
Vais viver assim toda a tua vida.
Toda a tua vida.
Não vais sequer cheirar aquilo que há tanto tempo queres.
Perdeste o teu tempo.
Fizeste-me perder o meu.
Mas feliz ou infelizmente, eu apenas perdi tempo.
E tu?
És feliz? 

terça-feira, maio 6



VII


Vejo a tristeza nos teus olhos quando não consegues fazer-me sorrir, quando não me enches de mimos, quando não me consegues dar o prazer que desejas, quando não tens tempo para nós, quando não sabes dar-me tudo aquilo que preciso, quando não temos o que desejamos e quando as ambições que desenhamos são inconcebíveis.
Mas não fiques triste. 
Hoje percebi que és a unica razão pela qual respiro.

Amo-te 



quinta-feira, maio 1

Pessoas más.

Dou por mim completamente afogado no pensamento.
Há dias em que nos perguntamos o que leva as pessoas a serem o que realmente são.
Porque é que o motorista do autocarro não esperou pela velhinha que vinha a fazer-lhe sinal do outro lado da rua? Porque é que as pessoas não sorriem? Porque é que não dizem obrigado quando lhes dás passagem e não pedem desculpa por terem chocado contra ti?
As pessoas não são más.
Estão atrasados para o trabalho.  Discutiram com alguém. Estão doentes. Morreu um familiar. Estão afogados em dividas. Alguém lhes partiu o coração.
Aceitamos o mal dos outros no mal que nos fazem e ainda sem perceber perdoamos de cabeça baixa e seguimos com o orgulho ferido.
Mas a verdade é que nem sempre o que dizemos condiz com o que conseguimos. Nem sempre é facil perdoar e seguir de cabeça baixa.
A verdade é que a duvida é o pior dos nossos arrependimentos, com o qual não sabemos viver e no qual não sabemos deixar de procurar respostas.
Porque?
Porque é que as pessoas são más?
Porque é que as pessoas procuram fazer-nos mal, quando não têm motivo que as conduza?
Talvez as pessoas sejam más.
Quando não há motivo não há consideração, como podemos nós perdoar algo sem entender?
A bíblia ensina-nos a faze-lo sem questionar, a vida ensina-nos a protegermos o couro do mal que tende a enxergar-nos as lagrimas.
Mas há pessoas más. Eu conheço pessoas más.
Sabem procurar-me, sabem encontrar-me e premeditam cada arranham que me deixam na alma.
Estudaram o meu passado, conhecem o meu Aquiles, atacam ventos repetidos na mesma direcção.
Não sou vitima do acaso.
Não esbarraram contra mim sem querer. Não é por estarem com pressa para o trabalho.
O pior é que eu sei.
O pior é que eu não sei.
Apenas são más .
Talvez não sejam apenas más.
Mas fizeram-me mal.
Sinto a insegurança, a falta de argumentos, a falta de confiança na pouca fluidez do discurso quando se defendem. Eles sabem que fizeram mal. Mas não deixam de o fazer, porquê? Porque são pessoas más?
Não há pessoas más.
Associaram a minha ausência a abandono? Deixaram de se rever no meu abraço? Mudaram as memórias das nossas conversas? Esqueceram-se do nosso dialeto especial?  Porque é que as pessoas que me sabiam ler nos olhos agora vêm mal neles?
Porque comecei a ser feliz?
Eu partilhara a minha felicidade com eles como sempre fiz...
Continuei a desvendar-lhes os meus segredos. Continuei a desejar-lhes o bem e a esperar as nossas gargalhadas no fim do dia, no caminho para casa.
Corremos em sentidos dispersos, julguei encontrá-los na meta.
Esperei por eles, juro que esperei.
Mas nunca esperei ver o que vi.
Ignorei enquanto pude.
Sabia que me iam fazer mal.
Tantas frustrações e inseguranças combinadas, tinham que ser depositadas em alguém.
Já os havia visto a fazer aquilo com outros... Já sabia do que eram capazes, ao que estavam acostumados...
Era de prever que me calharia a mim um dia.
Mas talvez não sejam  pessoas más...
Vou preferir pensar que são apenas pessoas que fizeram mal.
Guardar na memória as pessoas que um dia foram ou fingiram ser.
Secar as lágrimas que agora caem.
Reduzir os suspiros de tristeza ao saber noticias vossas...
Tirar o pensamento daqueles que tentam assombrar-lo....
Viver apenas.
Mas sempre com consciência que não há pessoas más.

Fica a esperança, para que os que se sigam aprendam com os que se foram e se juntem aos que ficaram, com um sorriso. 

segunda-feira, março 24

Estar apaixonado é do mais complexo e ingrato que já imaginara.
Encho o meu rosto de sorrisos e lágrimas mas perco por entre os sonhos e mil desejos as palavras e frases bonitas que gostava de declamar.
Perco-me no silencio de um ou outro olhar. Um reparo suave na curva do teu sorriso, ou nas tuas bochechas doces, ou no teu corpo de menina mulher do qual perco o rasto quando dança para mim, ou em mim. Descontrolas-me o pensamento, o corpo também.
É por isso que gosto de ti. O pacote completo, de vontade inesgotável e coração banhado de esperança e cor.
Alegras-me os dias tristes, e os felizes também.  E quando não o são, alegro-me por saber que me cabe a mim pinta-los com a nossa cumplicidade e estupides.
Tocas-me o coração, tocas-me o corpo, tocas-me a alma.
E espero que toques o meu futuro, que faças dele teu.
Para que possa adormecer ao teu lado, em vez de sonhar contigo.

Fica a confusão, confusa mas feliz.

quinta-feira, janeiro 30

O que distingue um Amigo Verdadeiro

"Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c. 

Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

quarta-feira, janeiro 29

Hoje adormeço a chorar.
Espero que amanhã tenha razões para sorrir.

Falsa Moral.

Toda e qualquer pessoa que me conhece sabe que lhe é mais favorável lutar do meu lado do que lutar contra mim.
Consigo ser a pessoa mais pacata e contida do mundo. Consigo guardar calado tudo o que vejo e ouço, tudo o que leio e penso. Não quer dizer no entanto que por calado me entendam esquecido.
Nada me passa pelos olhos nem tão pouco pelas mãos sem que o pinte numa memória antes de guardar no arquivo cogito.
Pouco é pior para mim do que o erro repetido. Linha após linha. Sem pegar na borracha uma unica vez para o corrigir ou no compasso o repensar.
Mas desse pouco consome-me a alma o falso respeito, a postura erecta e arrogante de quem em toda uma vida semeada de erros tem a altivez para se aclamar ofendido ou pedir respeito.
O meu silencio consegue ser a minha melhor arma, mas também a mais pesada.
Talvez seja por isso que quando a largo me torno mais ágil, talvez por isso tenha a capacidade de desprover qualquer pessoa de argumentos, devastando discursos e deixando pouco por dizer.
Talvez seja por isso que tenho sempre razão.
Tenho pena das pessoas que não conseguem ver isso. Que me fazem mal anos a fio, ou que simplesmente deixam de me fazer bem, e são ingénuas ao ponto de não perceber que não vou de maneira nenhuma encará-las por igual.
Os laços emocionais não se perdem com o tempo. Mas degradam-se.
Não aceito erros repetidos. E não é por terem o mesmo sangue que eu a correr nas veias que vou esquecer isso, ou tão pouco deixar passar em branco as vossas acções.
Posso não ser ninguém para vos julgar, mas sou quanto basta para não agir em falso e não continuar a viver na farsa com a qual tendem a cegar-me.

Fica a verdade.

quarta-feira, janeiro 22

Atormentas-me o juizo, roubas-me um sorriso.

Passas a vida a fazer asneiras
a discutir por coisas ridiculas,
a mandar bocas e arranjar conflitos,
a fingires que estás amuada até realmente o ficares
a transformar-te numa perfeita vitima
na coitadinha sozinha e abandonada
como se ninguém te compreendesse na verdade.
Eu fico triste contigo
fico cansado
fico chateado
às vezes muito irritado.
Mas rio-me por seres assim.
No fundo sempre foste assim
a verdade é que sempre me lembro de ti assim
as tuas birras,
os teus esquemas,
e no meio dos teus beijos quentes
os teus mil dilemas.
Rio-me de ti.
Das memórias do sempre,
das discussões de ontem
e da tua atitude que para lá das mil promessas
nunca muda de verdade.
Rio-me de ti,
percebo que gosto de ti
e sorrio a pensar em ti.
Porque se não fizesses asneiras constantes
se não virasses a minha vida do avesso
se não fosse eu a adormecer a chorar à noite
quem seria?
A que vida pertencerias?
Bagunça o meu mundo.
Atormenta a minha paciência.
Dá-me cabo do juizo.
Assim pensarei sempre na porcaria que fazes,
pensarei sempre nas asneiras continuadas do passado,
mas também me vou lembrar de quem realmente as atura,
é a mim que me pertences, por isso, por tudo.
É por isso que me rio de ti.
É por isso que me fazes feliz,
ainda que assim.

Deixo-te um sorriso, fica um bom dia pequena flor.

sexta-feira, novembro 29

Constanteadiref.

Fazes-me perder o meu tempo
Levas-me o canto pacato
Dobras-me o olhar gelado
Deixas-me desalento.
Acabado, acabrunhado,

acavalado,
aficionado,
afuselado,
agrosseirado,
agulheado,
ajaulado,
ajumentado,
alarvado,
alcantilado,
almirantado,
alternado,
aluado,
amarelado,
amargurado.
Cortas-me o coração
Cortas-me a alma em pedaços.
Não Amas nem um segundo.
Não aproveitas o espaço.
Não cedes o abraço.
Fica o que  resta, o cansaço.


terça-feira, outubro 22

Hoje não escondo.

Hoje não escondo a dor que me coube no peito.
Mais uma vez senti a maldade nos olhos dos outros.
Pessoas em quem confiei toda a minha vida e toda a verdade dela usam-na agora para me arrancar o chão como se nada fosse.
Não é que de facto o consigam.
Nem é o que dizem que me magoa.
Mas as razões que vos levam a faze-lo traduzem o mundo mais sujo em que vivo.
Não falo da vossa má língua, de jurarem Amar aquela pessoa que dizem feia e intitulam de besta mal o tempo lhe volte as costas, não julgo a falta de sanidade na madeira como vivem, nem tão pouco a falta de carácter das vossas paixões momentâneas pela arte que transformam em lixo mal o sol se ponha. Sol a sol comem do prato onde cospem.
Mas nada disso me incomoda. Nada disso me atormenta. Nada disso me dói.
O que dói de verdade é ver-vos arrancar memórias de feridas fechadas, que já nem doem, só por prazer, só por maldade. Fazer humor negro e triste chacota daquilo que nunca fez rir e que já não mais faz chorar.
Cabe-me na mente uma pergunta: Porquê?
É dos erros dos outros, que com o tempo perdoei, que vocês vão limpar a vossa cara suja ?
Cai-vos a felicidade aos pés por tentarem magoar alguém?
Param para pensar na vossa vida enquanto se riem do mal dos outros?
Ou escondem-se no mal dos outros para não pensarem na triste vida que levam?
Há muitas respostas para a mesma pergunta.
Mas digo-vos o demais, têm sujidade na mente.
Fazem-no por maldade.
Isso é de julgar, isso não tem perdão, isso não é digno nem tão pouco das palavras de desanimo que escrevo.
Tornam tristes o meu pensamento, não pelo que dizem, mas por o fazerem.
E com isto me lembram de quem são as pessoas boas e más que tive ao meu lado durante toda esta vivencia.

No fim toda a foto é revelada, fica a razão.
Fica o que foram revisto no que são.